AGORA EM NOVO ENDEREÇO

outubro 17, 2007

Vai lá: MOVE!. Worpress deu nos nervos, sorry.


Internet móvel no Brasil é “wishful thinking”

julho 2, 2007

Mais um post da série “imbroglios do mercado”.

Eu estava agora pensando sobre a “internet móvel”. Os dados disponíveis indicam aproximadamente 10% dos usuários acessando à internet pelo celular. Quer dizer, acessando ao portal da operadora, estes grande e mal-cuidados “walled gardens”. Já a internet mesmo, é o seguinte, existe internet no celular? Por aqui, com certeza não. Mesmo os grandes portais têm conteúdo bem indigente para o celular.

Acompanhamos estes dados com atenção, pois o próximo grande mercado será baseado na internet móvel. A publicidade no celular, por exemplo. Claro que, até hoje cedo, internet ainda era uma rede. E publicidade online buscava obter os melhores resultados desta rede. Não me parece muito o caso atual para o celular. No Brasil, pelo menos, temos sete estruturas separadas que não se conversam. E que se esforçam para não deixar seus usuários saberem que não precisam delas.

Me preocupa muito em saber exatamente como as operadoras esperam faturar com a internet móvel. Torço para que não seja por meio de seus portais. Para fugir destes, basta descobrir que o Google também pode ser acessado pelo celular (http://www.google.com/m). Nesta hora, seu usuário descobre que não precisa daquele jardim pequeno e feio.

Mas, claro, tem o faturamente em cima dos extorsivos valores do acesso a dados. E aí, a gente até sente um arrepio na espinha quando entra em uma página com muitas imagens.

O bom senso diria o seguinte: vamos privilegiar o volume de acessos e dar condições à criação de uma rede de sites que irá gerar conteúdo para assegurar o interesse e o acesso regular das pessoas a esta rede. Minha rede será estável e com velocidade suficiente para garantir um bom serviço. Meu portal vai ser a porta de entrada pois tenho condições de oferecer bom conteúdo e uma rede de parceiros relevante.

Mas aí, o que acabamos tendo é: vamos manter o preço elevado e faturar em cima dos novos entrantes (porque comprou um celular novo, porque descobriu que pode acessar, etc.) e dos usuários avançados. Vamos restringir o acesso e garantir que nosso portal seja o único local possível de navegação. Fechados os portões, vamos gastar o mínimo com o conteúdo e a qualidade, retirando o máximo possível de parceiros e usuários.


“Filho de peixe, peixinho é” OU “Eu prefiro a minha cauda bem curta, por favor”

julho 1, 2007

Em 1983/1984, somente Thriller (Michael Jackson), vendeu nos EUA 22 milhões de cópias. Neste mesmo período o álbum Pyromania (Def Leppard), vendeu em torno de 10 milhões de cópias. Em 1987 os dois, coincidentemente, lançaram os novos álbuns, vendendo outros tantos milhões. A população dos EUA estava em torno de 240 milhões.

Ou seja, 10% da população tinha comprado um mesmo álbum. Dois artistas tinham alcançado 15% da população. Estes eram os anos da explosão do pop. Em 2006, os cinco álbuns mais vendidos alcançaram pouco mais de 5% da população dos EUA. Estes são os anos em que o conteúdo abandonou o meio.

Mais números: dos 500 álbuns mais vendidos na história dos EUA, apenas 67 foram acrescentados a esta lista nos últimos 10 anos. E destes, apenas 8 fazem parte dos 50 mais vendidos. E somente um entra nos dez mais, ainda assim logo no início. Se restringirmos aos últimos cinco anos, apenas oito entram entre os 500 mais vendidos. Claro, a população continuou crescendo.

A situação não melhora se avaliarmos os artistas. Dos dez mais vendidos na década de 2000, um é da década de 60 (Beatles), outro é responsável por dois (Eminem) e três praticamente encerraram a carreira. E isso diz muito do esforço comercial da indústria fonográfica.

O que estou querendo dizer é que manter a cauda curta é bom, excelente, para a indústria fonográfica. Isso foi o que sempre encontraram. E em seu modelo de produção e distribuição é a única forma de ganhar dinheiro: conseguindo escala.

Então vem a multiplicação dos meios de distribuição de conteúdo, e com esta a informação se aproxima de uma situação perfeita e o conteúdo passa a independer de um meio físico.

E, claro, manter a “cauda curta” passa a exigir cada vez mais esforço e trazer menos resultados. Claro que poderiam usar a situação a seu favor, mas o esforço primeiro de qualquer um é sempre o da preservação.

E aí, é o seguinte: aprender também é difícil, pelo visto.

Veja o mercado de ringtones (aliás, este é o objetivo deste post). Acesse qualquer site de ringtones relevante. Qualquer um. E tente descobrir a diferença entre um e outros, em termos de conteúdo.

Não, não basta criar um monte de ringtones e jogar em outro monte de categorias. Um amontoado de conteúdo não torna uma cauda longa. Uma oferta indiferenciada não atinge a nicho nenhum. Se salva com os remanescentes do mainstream. Estes, em geral, estão chegando agora. Não demora escapam para algum ponto mais abaixo da curva.

A venda de ringtones tem decrescido. No Reino Unido já se vendem mais jogos para celular que toques.

Tem salvação?

Crescer mais, não cresce. A novidade se esgotou. O mercado de ringtones era um pato em uma lagoa em que o nível da água subia rapidamente. Provavelmente deixou de avaliar as variáveis que influenciavam a compra.

Somente isto poderia explicar, por exemplo, porque o discurso do ringtone como fator de personalização do celular resultou em ofertas iguais por todos os distribuidores e produtores de conteúdo. Paradoxal. É o ranço da cauda curta.

Se eu fosse responsável por conteúdo móvel eu buscaria segmentar a oferta e a linguagem. Ir além do “ouvinte adolescente/jovem de rádio FM de grande centro urbano”. O custo marginal de produção e distribuição de conteúdo digital permite que isto seja feito, convenhamos. Este movimento não buscaria crescimento, mas a incorporação de parcelas do mercado que foram desconsideradas até o momento. Porque afinal de contas, alguém tem que se diferenciar.

Não avaliei o impacto dos modelos impostos pelas operadoras, é importante realçar isto. Mas a análise permanece válida.


It’s been so long, since I heard your pretty voice

julho 1, 2007

Tenta escutar e não sentir nada.


Cuckoohunters

junho 30, 2007

O problema com a maioria absoluta dos “coolhunters”, “trendhunters”, “futuristas” e espécies similares é que olham para o lugar errado. Em vez de olhar para o futuro, melhor fariam se olhassem para o presente. Nada. E isso é platitude, nada surge do nada.

O futuro surge das condições presentes, do mix entre tecnologia, sociedade, cultura e economia. Ou você é capaz de abordar estes aspectos, coletar as informações, estabelecer as principais variáveis, separar as informações relevantes, fazer as conexões, analisar e validar, ou sua opinião fica assim mesmo: opinião. O meu problema é que tem gente colocando etiqueta de preço em opinião.


Reposicionamento

maio 23, 2007

Do blog, no caso. Aos meus três leitores (dois eu descobri que tenho, já que foram registrados nos comentários), este blog, visto que passei a postar em outro (vide post abaixo) passará por um processo de reposicionamento visando sua inserção de modo a agregar valor ao usuário – valor este que seria reduzido no caso de duplicidade dos posts. Yada yada yada. Quanta besteira. :-) Bom, o fato é que, já que estarei escrevendo sobre mobilidade no Mobilizado, vou ter mais liberdade temática aqui.

Uma idéia é publicar resenhas sobre os livros que leio. Que acho interessante, pode funcionar bem em buscas. Outra idéia é segmentar bastante os temas. Descobri que é bem eficiente – vide os dois únicos comentários nesse blog.

O dia que começar a receber spam, saberei que estou no caminho certo.


O blog, o outro blog e uma história

maio 18, 2007

Eu posto com pouca regularidade, não por falta de idéias, mas pelo tempo que escasseia e a falta de sincronia entre idéias e estar sentado à frente do laptop. Meu pensar é peripatético, o que favorece eu usar o celular para postar. Mas daí para a ação…

E agora, tenho outro blog para postar: Mobilizado. Dependendo do objetivo, é melhor que esse. Notícias do mercado de mobilidade e outros assuntos relacionados, com muito mais objetividade. Vale conferir.

Por fim, estava me lembrando de uma história que acho interessante compartilhar. Em 2001 eu estava morando nas Filipinas quando aconteceu algo impressionante: 700.000 pessoas se reuniram em poucas horas em torno de um centro empresarial na principal via de Manila (EDSA) e durante quatro dias protestaram pela saída do presidente Joseph Estrada – que renunciou.

Apenas o fato de acontecer uma revolução popular pacífica em um país com pouco tempo de democracia (Ferdinando Marcos tinha sido derrubado em 1986) já é relevante por si mesmo. Mas, neste caso, todas estas pessoas foram reunidas por meio de SMS.

É isso mesmo, 700.000 pessoas protestando, reunidas em algumas horas, em um movimento organizado por meio de SMS. Veja a imagem do local.

EDSA II

Isso me marcou suficientemente para querer saber mais – estava nas Filipinas como coordenador de um projeto editorial sobre o país, à época. E eram números e números mostrando uma revolução que ainda estava por vir no resto do mundo. O resto, em termos pessoais, é história – como se esquecer de algo assim?

O principal meio de comunicação, em 2001, nas Filipinas, já era o SMS. Enviava-se mais mensagens de textos por dia do que a Europa em um mês. Isto era impulsionado por um valor mínimo, o que tornava o serviço muito barato – favorecendo a inclusão das massas pobres, que contavam agora com uma ferramenta eficiente de comunicação e informação, pois é claro que os serviços de alertas de notícias e outros similares já existiam em quantidade.

Ainda hoje as Filipinas possuem números mais que significativos, aliás: são 400 milhões de SMS por dia, para uma população de 90 milhões de pessoas. O valor médio de receita por usuário com dados é de mais de 50%.


Twitter, you twat

abril 21, 2007

Estou impressionado com este aplicativo aqui: Twitter. Não, não é porque é algo de outro mundo. É porque eu jamais esperei que fosse atingir a atual repercussão.

Twitter está sendo chamado de ferramenta de microblogging. No modo mais usual, as pessoas enviam um SMS para o aplicativo e a mensagem é publicada em sua página pessoal e, se permitido, em uma área pública. A mensagem pode ser enviada pela web ou por um mensageiro também, mas o limite é o do SMS: 140 caracteres. Por isso, a qualificação de microblogging. A pergunta fundamental é: “what are you doing?”.

E se o conteúdo foi reduzido, o alcance foi multiplicado. Quem envia seus posts, envia de qualquer contexto, qualquer pensamento, invariavelmente irrelevante (quão relevante eu consigo ser em 140 caracteres? Não eu, não consigo nem mesmo sem limites ao texto. Nem o Paulo Coelho. Com certeza o Woody Allen seria.)

Nesta perspectiva eu diria que não é mais microblogging, mas extreme-blogging. Até onde expor tudo o que passa por nossa cabeça? Principalmente pelo seguinte: eu não preciso acompanhar os posts dos meus amigos pela internet, posso optar por receber em meu celular (de onde o limite de 140 caracteres). Definitivamente, isso é blogar ao extremo.

Tudo bem, hiperconectividade e tal, mas isso nunca me soou muito bem. Afinal, onde diabos está o dinheiro aqui? E porque ô Epaminondas eu iria querer publicar que estava entediado na fila do banco?

Claro que eu estava muitíssimo enganado sobre as possibilidades. Afinal, porque não publicar notícias em tempo real, no contexto? Até a “old gray lady” está usando! E, claro, tem os mash-ups. Twitter + Google Maps, inevitável.

Mas ainda não vi o dinheiro… e com custos de 100.000 dólares/mês em SMS, espero que estejam pensando em como ganhar algum!

E é por isso mesmo que eu resolvi testar e acompanhar o serviço. Não há número para o Twitter no Brasil, então é um SMS internacional, para quem se interessar. Minha página é www.twitter.com/teco. Não tem nada ainda, claro.

Curiosidade: Evan Williams, o empreendedor responsável pelo Twitter, é também co-fundados dos Pyra Labs, mais conhecido como Blogger. Mas é também fundador do Odeo, aplicativo para geração e busca de podcasts que está à venda para quem fizer a melhor oferta, depois de Williams dispender alguns milhões comprando a parte dos fundos de capital no negócio.


She Wants Revenge + Sin City

abril 19, 2007

Play it loud.


Eu tenho uma nova tecnologia, e agora? II

abril 19, 2007

Continuação do post anterior:

Perfis de uso

Ao desenvolver ou trazer uma nova tecnologia, temos que entender como esta se enquadra no padrão de uso mais comum, categorizado, de modo amplo, abaixo:

    Informações e serviços

Este é o usuário “repetitivo”. Ele é alguém que costuma checar regularmente a mesma informação, como o tempo e índices financeiros. Ou sua agenda.

    Entretenimento e distração

Este é o usuário “entediado”, que se descobriu com tempo – na fila, na sala de espera, nos aeroportos ou em casa. Este é muito semelhante ao indivíduo que navega casualmente pela internet. O que não significa que basta eu colocar meu site na internet – é importante prestar atenção ao meio.

    Rapidez e conveniência

Este indivíduo acessou o celular motivado por uma urgência ou em busca de facilidade – se é móvel, então é móvel mesmo. Ele quer encontrar algo específico, rapidamente. Ou obter algo independente de local e hora.

Estes são os perfis de uso. O que dizer do processo de adoção?

A adoção de uma nova tecnologia é apenas o ponto de partida. O contato, a familiaridade, envolvem processos mais complexos.

Apropriação: processo pelo qual as pessoas adotam e remodelam as tecnologias de acordo com suas necessidades. A inserção da tecnologia no cotidiano é um processo adaptativo. A evolução da familiaridade envolve sua adequação às minhas necessidades. Nesse sentido, sistemas abertos têm maiores chances de sucesso (internet).

Canibalização (antropofagia): processo de apropriação cultural. A inserção da tecnologia no cotidiano torna-se um processo criativo também. É a descoberta de usos próprios das tecnologias.

A apropriação, portanto, é a maneira pela qual os usuários partem da adoção de uma tecnologia – o celular, por exemplo – e a transforma, inserindo-a em suas práticas políticas, econômicas e sociais. Compreender a apropriação permite capturar os impactos reais causados por aquela tecnologia.

Como processo cultural, torna-se uma negociação de poder, de controle, sobre a (re)configuração da tecnologia, seus usos e benefícios.

Esta condição antropofágica, muitas vezes, leva a situações onde o usuário entra em conflito direto com os provedores da tecnologia. A canibalizacão inclui modificações no modelo de uso, na própria ferramenta, que o coloca em oposição ao modelo de negócios original. Isto pode ser exemplificado pela busca de aplicações e truques que permitem ao usuário utilizar recursos de seu telefone que não eram destinados originalmente para tal. Exemplos brandos são o bluetooth como distribuição de conteúdo e as tentativas de instalação do Skype em dispositivos móveis. Ou o envio de SMS por TCP/IP. Um exemplo que virou negócio são as empresas de call-back. Pelo lado “ilegal”, encontramos o desbloqueio de celulares.

Conclusão

Digamos que você criou uma nova tecnologia. De que maneira esta se enquadra nos padrões de uso? Estes padrões orientam sua entrada no mercado. Por meio destes você pode determinar seu mercado – compreendido como um conjunto de consumidores de um determinado conjunto de produtos e serviços, com interesses e necessidades comuns e capazes de influenciar mutuamente a decisão de compra.

Sua estratégia, contudo, tem que levar em conta o processo de apropriação e canibalização, que podem levar a usos não esperados. Os novos usos devem ser acolhidos e reprocessados. O confronto é sempre negativo, e a indústria fonográfica não me deixa mentir. Para ficar em um exemplo pessoal, estamos realizando um esforço maior de controle e segurança da validação dos códigos de barra no celular.

Recapitulando: inserção – adoção – apropriação – canibalização – reconfiguração.


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