Mobile music?

março 27, 2007

Não vou fazer aqui nenhuma análise complicada, mas apenas observar os números para avaliar do que estamos falando.

De modo regular, provavelmente quando a pauta escasseia, vemos matérias sobre a “explosão da música digital”, para ficar em um termo provavelmente pré-programado em algum Word 2007, Newspapers edition. E, como estamos na “era da mobilidade”, o celular sempre aparece. Com 100M de usuários, o full track – o dowload da música completa – seria capaz de gerar receitas para operadoras, desenvolvedoras e ainda prover um novo modelo de negócios para a indústria fonográfica.

Vou deixar de lado agora o fato de as operadoras cobrarem pelo menos 4,00 o Mb (13,00 no caso da TIM!!!); de uma faixa com qualidade de 64 Kbits possuir qualidade superior somente ao seu radinho AM, e ainda assim ocupar pelo menos 1Mb; e de a indústria fonográfica provavelmente não estar muito interessada nesta conversa de novo modelo de negócios.

Então, aos tais números, não são muitos:

  • Em 2005, a indústria fonográfica nacional faturou R$850 milhões (vou considerar que o faturamento não avançou muito em 2006)
  • Ao mesmo tempo, em uma aproximação realista, a receita bruta de dados das operadoras no país já deve estar em torno de R$4 bilhões
  • Ou seja, toda a indústria fonográfica do país representa pouco mais de 20% da receita de dados das operadoras.
  • Um acréscimo em torno de 1% na receita de dados como share da receita bruta de serviços equivaleria a aproximadamente 60% de todo o faturamento da indústria fonográfica no Brasil. Não me parece muito um mercado que mereça concentração de investimentos. Então, eu não me surpreenderia se descobrisse que as operadoras parecem mais interessadas em outros assuntos.

    2 Respostas to “Mobile music?”

    1. Simon Says:

      Acredito que a indústria fonográfica tem sim muito interesse, até porque muitas dessas empresas fazem parte de grupos maiores que produzem inclusive celulares e MP3 players. É o caso da Sony. Dá uma olhada no relatório 2007 de música digital da IFPI, representante mundial das gravadoras.

      http://www.ifpi.org/content/library/digital-music-report-2007.pdf

      abraço,
      e parabéns pelo blog, muito bem produzido

    2. Terence Says:

      Oi Simon, obrigado pelo comentário – foi bom inclusive para me lembrar de que preciso atualizá-lo. Aliás, pelo comentário e pelo material. Eu espero que a indústria fonográfica realmente atine para novos caminhos. Algumas decisões, como a recente elevação dos royalties sobre streaming, me fazem temer o contrário. De todo modo, o que eu quis demonstrar foi que as expectativas do mercado de música no celular podem estar sobre-estimadas, já que, por sua dimensão, ele dificilmente será tratado de modo prioritário pelas operadoras. Claro que uma coisa é a dimensão financeira e outra é a dimensão em termos de serviços e satisfação de seu cliente. E esta pode ser a diferença que alavancará o processo.


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