Eu tenho uma nova tecnologia, e agora? II

abril 19, 2007

Continuação do post anterior:

Perfis de uso

Ao desenvolver ou trazer uma nova tecnologia, temos que entender como esta se enquadra no padrão de uso mais comum, categorizado, de modo amplo, abaixo:

    Informações e serviços

Este é o usuário “repetitivo”. Ele é alguém que costuma checar regularmente a mesma informação, como o tempo e índices financeiros. Ou sua agenda.

    Entretenimento e distração

Este é o usuário “entediado”, que se descobriu com tempo – na fila, na sala de espera, nos aeroportos ou em casa. Este é muito semelhante ao indivíduo que navega casualmente pela internet. O que não significa que basta eu colocar meu site na internet – é importante prestar atenção ao meio.

    Rapidez e conveniência

Este indivíduo acessou o celular motivado por uma urgência ou em busca de facilidade – se é móvel, então é móvel mesmo. Ele quer encontrar algo específico, rapidamente. Ou obter algo independente de local e hora.

Estes são os perfis de uso. O que dizer do processo de adoção?

A adoção de uma nova tecnologia é apenas o ponto de partida. O contato, a familiaridade, envolvem processos mais complexos.

Apropriação: processo pelo qual as pessoas adotam e remodelam as tecnologias de acordo com suas necessidades. A inserção da tecnologia no cotidiano é um processo adaptativo. A evolução da familiaridade envolve sua adequação às minhas necessidades. Nesse sentido, sistemas abertos têm maiores chances de sucesso (internet).

Canibalização (antropofagia): processo de apropriação cultural. A inserção da tecnologia no cotidiano torna-se um processo criativo também. É a descoberta de usos próprios das tecnologias.

A apropriação, portanto, é a maneira pela qual os usuários partem da adoção de uma tecnologia – o celular, por exemplo – e a transforma, inserindo-a em suas práticas políticas, econômicas e sociais. Compreender a apropriação permite capturar os impactos reais causados por aquela tecnologia.

Como processo cultural, torna-se uma negociação de poder, de controle, sobre a (re)configuração da tecnologia, seus usos e benefícios.

Esta condição antropofágica, muitas vezes, leva a situações onde o usuário entra em conflito direto com os provedores da tecnologia. A canibalizacão inclui modificações no modelo de uso, na própria ferramenta, que o coloca em oposição ao modelo de negócios original. Isto pode ser exemplificado pela busca de aplicações e truques que permitem ao usuário utilizar recursos de seu telefone que não eram destinados originalmente para tal. Exemplos brandos são o bluetooth como distribuição de conteúdo e as tentativas de instalação do Skype em dispositivos móveis. Ou o envio de SMS por TCP/IP. Um exemplo que virou negócio são as empresas de call-back. Pelo lado “ilegal”, encontramos o desbloqueio de celulares.

Conclusão

Digamos que você criou uma nova tecnologia. De que maneira esta se enquadra nos padrões de uso? Estes padrões orientam sua entrada no mercado. Por meio destes você pode determinar seu mercado – compreendido como um conjunto de consumidores de um determinado conjunto de produtos e serviços, com interesses e necessidades comuns e capazes de influenciar mutuamente a decisão de compra.

Sua estratégia, contudo, tem que levar em conta o processo de apropriação e canibalização, que podem levar a usos não esperados. Os novos usos devem ser acolhidos e reprocessados. O confronto é sempre negativo, e a indústria fonográfica não me deixa mentir. Para ficar em um exemplo pessoal, estamos realizando um esforço maior de controle e segurança da validação dos códigos de barra no celular.

Recapitulando: inserção – adoção – apropriação – canibalização – reconfiguração.

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