Internet móvel no Brasil é “wishful thinking”

julho 2, 2007

Mais um post da série “imbroglios do mercado”.

Eu estava agora pensando sobre a “internet móvel”. Os dados disponíveis indicam aproximadamente 10% dos usuários acessando à internet pelo celular. Quer dizer, acessando ao portal da operadora, estes grande e mal-cuidados “walled gardens”. Já a internet mesmo, é o seguinte, existe internet no celular? Por aqui, com certeza não. Mesmo os grandes portais têm conteúdo bem indigente para o celular.

Acompanhamos estes dados com atenção, pois o próximo grande mercado será baseado na internet móvel. A publicidade no celular, por exemplo. Claro que, até hoje cedo, internet ainda era uma rede. E publicidade online buscava obter os melhores resultados desta rede. Não me parece muito o caso atual para o celular. No Brasil, pelo menos, temos sete estruturas separadas que não se conversam. E que se esforçam para não deixar seus usuários saberem que não precisam delas.

Me preocupa muito em saber exatamente como as operadoras esperam faturar com a internet móvel. Torço para que não seja por meio de seus portais. Para fugir destes, basta descobrir que o Google também pode ser acessado pelo celular (http://www.google.com/m). Nesta hora, seu usuário descobre que não precisa daquele jardim pequeno e feio.

Mas, claro, tem o faturamente em cima dos extorsivos valores do acesso a dados. E aí, a gente até sente um arrepio na espinha quando entra em uma página com muitas imagens.

O bom senso diria o seguinte: vamos privilegiar o volume de acessos e dar condições à criação de uma rede de sites que irá gerar conteúdo para assegurar o interesse e o acesso regular das pessoas a esta rede. Minha rede será estável e com velocidade suficiente para garantir um bom serviço. Meu portal vai ser a porta de entrada pois tenho condições de oferecer bom conteúdo e uma rede de parceiros relevante.

Mas aí, o que acabamos tendo é: vamos manter o preço elevado e faturar em cima dos novos entrantes (porque comprou um celular novo, porque descobriu que pode acessar, etc.) e dos usuários avançados. Vamos restringir o acesso e garantir que nosso portal seja o único local possível de navegação. Fechados os portões, vamos gastar o mínimo com o conteúdo e a qualidade, retirando o máximo possível de parceiros e usuários.

2 Respostas to “Internet móvel no Brasil é “wishful thinking””

  1. Angelo Says:

    É wishfull thinking mesmo!!! Acho q estamos longe de assinar um serviço de ‘mobile internet’, pegar uma placa PCMCIA e um roteador de internet móvel e levarmos nossa banda larga de casa para o trabalho, pra viagem de fim de semana etc… Se bem q eu tenho esperanças de que com o iPhone chegando ao Brasil as operadoras resolvam fornecer planos ilimitados por preços razoáveis. Mas pensando bem, pelo preço q o iPhone deve chegar ao Brasil é bem capaz de que as operadoras mantenham o preço alto e o iPhone se torne algo elitizado, como os iPods (pra quê dar R$500 num shuffle se na Casa&Video tem um pirata IDÊNTICO por R$50). Se bem q a tim já tem um plano de (insipientes) 1GB por R$49 por mês… Vamos continuar “wishing”!!!

  2. Terence Says:

    Oi Angelo, todas estas têm seus “planinhos” né… o negócio é que 49,00 em um mercado onde o gasto médio por usuário é de 30,00 (pós e pré-pago) e de 7,00 no pré-pago (80% do mercado), não gera impacto real, pode acreditar em mim. Não para nossas ambições. Ah, e 1Gb? 1Gb no novo mundo visual de YouTube e etc. é nada!🙂 Abraços e estou em novo endereço: http://terence.typepad.com.


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