Archive for the 'biz' Category

“Filho de peixe, peixinho é” OU “Eu prefiro a minha cauda bem curta, por favor”

julho 1, 2007

Em 1983/1984, somente Thriller (Michael Jackson), vendeu nos EUA 22 milhões de cópias. Neste mesmo período o álbum Pyromania (Def Leppard), vendeu em torno de 10 milhões de cópias. Em 1987 os dois, coincidentemente, lançaram os novos álbuns, vendendo outros tantos milhões. A população dos EUA estava em torno de 240 milhões.

Ou seja, 10% da população tinha comprado um mesmo álbum. Dois artistas tinham alcançado 15% da população. Estes eram os anos da explosão do pop. Em 2006, os cinco álbuns mais vendidos alcançaram pouco mais de 5% da população dos EUA. Estes são os anos em que o conteúdo abandonou o meio.

Mais números: dos 500 álbuns mais vendidos na história dos EUA, apenas 67 foram acrescentados a esta lista nos últimos 10 anos. E destes, apenas 8 fazem parte dos 50 mais vendidos. E somente um entra nos dez mais, ainda assim logo no início. Se restringirmos aos últimos cinco anos, apenas oito entram entre os 500 mais vendidos. Claro, a população continuou crescendo.

A situação não melhora se avaliarmos os artistas. Dos dez mais vendidos na década de 2000, um é da década de 60 (Beatles), outro é responsável por dois (Eminem) e três praticamente encerraram a carreira. E isso diz muito do esforço comercial da indústria fonográfica.

O que estou querendo dizer é que manter a cauda curta é bom, excelente, para a indústria fonográfica. Isso foi o que sempre encontraram. E em seu modelo de produção e distribuição é a única forma de ganhar dinheiro: conseguindo escala.

Então vem a multiplicação dos meios de distribuição de conteúdo, e com esta a informação se aproxima de uma situação perfeita e o conteúdo passa a independer de um meio físico.

E, claro, manter a “cauda curta” passa a exigir cada vez mais esforço e trazer menos resultados. Claro que poderiam usar a situação a seu favor, mas o esforço primeiro de qualquer um é sempre o da preservação.

E aí, é o seguinte: aprender também é difícil, pelo visto.

Veja o mercado de ringtones (aliás, este é o objetivo deste post). Acesse qualquer site de ringtones relevante. Qualquer um. E tente descobrir a diferença entre um e outros, em termos de conteúdo.

Não, não basta criar um monte de ringtones e jogar em outro monte de categorias. Um amontoado de conteúdo não torna uma cauda longa. Uma oferta indiferenciada não atinge a nicho nenhum. Se salva com os remanescentes do mainstream. Estes, em geral, estão chegando agora. Não demora escapam para algum ponto mais abaixo da curva.

A venda de ringtones tem decrescido. No Reino Unido já se vendem mais jogos para celular que toques.

Tem salvação?

Crescer mais, não cresce. A novidade se esgotou. O mercado de ringtones era um pato em uma lagoa em que o nível da água subia rapidamente. Provavelmente deixou de avaliar as variáveis que influenciavam a compra.

Somente isto poderia explicar, por exemplo, porque o discurso do ringtone como fator de personalização do celular resultou em ofertas iguais por todos os distribuidores e produtores de conteúdo. Paradoxal. É o ranço da cauda curta.

Se eu fosse responsável por conteúdo móvel eu buscaria segmentar a oferta e a linguagem. Ir além do “ouvinte adolescente/jovem de rádio FM de grande centro urbano”. O custo marginal de produção e distribuição de conteúdo digital permite que isto seja feito, convenhamos. Este movimento não buscaria crescimento, mas a incorporação de parcelas do mercado que foram desconsideradas até o momento. Porque afinal de contas, alguém tem que se diferenciar.

Não avaliei o impacto dos modelos impostos pelas operadoras, é importante realçar isto. Mas a análise permanece válida.

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Twitter, you twat

abril 21, 2007

Estou impressionado com este aplicativo aqui: Twitter. Não, não é porque é algo de outro mundo. É porque eu jamais esperei que fosse atingir a atual repercussão.

Twitter está sendo chamado de ferramenta de microblogging. No modo mais usual, as pessoas enviam um SMS para o aplicativo e a mensagem é publicada em sua página pessoal e, se permitido, em uma área pública. A mensagem pode ser enviada pela web ou por um mensageiro também, mas o limite é o do SMS: 140 caracteres. Por isso, a qualificação de microblogging. A pergunta fundamental é: “what are you doing?”.

E se o conteúdo foi reduzido, o alcance foi multiplicado. Quem envia seus posts, envia de qualquer contexto, qualquer pensamento, invariavelmente irrelevante (quão relevante eu consigo ser em 140 caracteres? Não eu, não consigo nem mesmo sem limites ao texto. Nem o Paulo Coelho. Com certeza o Woody Allen seria.)

Nesta perspectiva eu diria que não é mais microblogging, mas extreme-blogging. Até onde expor tudo o que passa por nossa cabeça? Principalmente pelo seguinte: eu não preciso acompanhar os posts dos meus amigos pela internet, posso optar por receber em meu celular (de onde o limite de 140 caracteres). Definitivamente, isso é blogar ao extremo.

Tudo bem, hiperconectividade e tal, mas isso nunca me soou muito bem. Afinal, onde diabos está o dinheiro aqui? E porque ô Epaminondas eu iria querer publicar que estava entediado na fila do banco?

Claro que eu estava muitíssimo enganado sobre as possibilidades. Afinal, porque não publicar notícias em tempo real, no contexto? Até a “old gray lady” está usando! E, claro, tem os mash-ups. Twitter + Google Maps, inevitável.

Mas ainda não vi o dinheiro… e com custos de 100.000 dólares/mês em SMS, espero que estejam pensando em como ganhar algum!

E é por isso mesmo que eu resolvi testar e acompanhar o serviço. Não há número para o Twitter no Brasil, então é um SMS internacional, para quem se interessar. Minha página é www.twitter.com/teco. Não tem nada ainda, claro.

Curiosidade: Evan Williams, o empreendedor responsável pelo Twitter, é também co-fundados dos Pyra Labs, mais conhecido como Blogger. Mas é também fundador do Odeo, aplicativo para geração e busca de podcasts que está à venda para quem fizer a melhor oferta, depois de Williams dispender alguns milhões comprando a parte dos fundos de capital no negócio.