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Cuckoohunters

junho 30, 2007

O problema com a maioria absoluta dos “coolhunters”, “trendhunters”, “futuristas” e espécies similares é que olham para o lugar errado. Em vez de olhar para o futuro, melhor fariam se olhassem para o presente. Nada. E isso é platitude, nada surge do nada.

O futuro surge das condições presentes, do mix entre tecnologia, sociedade, cultura e economia. Ou você é capaz de abordar estes aspectos, coletar as informações, estabelecer as principais variáveis, separar as informações relevantes, fazer as conexões, analisar e validar, ou sua opinião fica assim mesmo: opinião. O meu problema é que tem gente colocando etiqueta de preço em opinião.

Eu tenho uma nova tecnologia, e agora? II

abril 19, 2007

Continuação do post anterior:

Perfis de uso

Ao desenvolver ou trazer uma nova tecnologia, temos que entender como esta se enquadra no padrão de uso mais comum, categorizado, de modo amplo, abaixo:

    Informações e serviços

Este é o usuário “repetitivo”. Ele é alguém que costuma checar regularmente a mesma informação, como o tempo e índices financeiros. Ou sua agenda.

    Entretenimento e distração

Este é o usuário “entediado”, que se descobriu com tempo – na fila, na sala de espera, nos aeroportos ou em casa. Este é muito semelhante ao indivíduo que navega casualmente pela internet. O que não significa que basta eu colocar meu site na internet – é importante prestar atenção ao meio.

    Rapidez e conveniência

Este indivíduo acessou o celular motivado por uma urgência ou em busca de facilidade – se é móvel, então é móvel mesmo. Ele quer encontrar algo específico, rapidamente. Ou obter algo independente de local e hora.

Estes são os perfis de uso. O que dizer do processo de adoção?

A adoção de uma nova tecnologia é apenas o ponto de partida. O contato, a familiaridade, envolvem processos mais complexos.

Apropriação: processo pelo qual as pessoas adotam e remodelam as tecnologias de acordo com suas necessidades. A inserção da tecnologia no cotidiano é um processo adaptativo. A evolução da familiaridade envolve sua adequação às minhas necessidades. Nesse sentido, sistemas abertos têm maiores chances de sucesso (internet).

Canibalização (antropofagia): processo de apropriação cultural. A inserção da tecnologia no cotidiano torna-se um processo criativo também. É a descoberta de usos próprios das tecnologias.

A apropriação, portanto, é a maneira pela qual os usuários partem da adoção de uma tecnologia – o celular, por exemplo – e a transforma, inserindo-a em suas práticas políticas, econômicas e sociais. Compreender a apropriação permite capturar os impactos reais causados por aquela tecnologia.

Como processo cultural, torna-se uma negociação de poder, de controle, sobre a (re)configuração da tecnologia, seus usos e benefícios.

Esta condição antropofágica, muitas vezes, leva a situações onde o usuário entra em conflito direto com os provedores da tecnologia. A canibalizacão inclui modificações no modelo de uso, na própria ferramenta, que o coloca em oposição ao modelo de negócios original. Isto pode ser exemplificado pela busca de aplicações e truques que permitem ao usuário utilizar recursos de seu telefone que não eram destinados originalmente para tal. Exemplos brandos são o bluetooth como distribuição de conteúdo e as tentativas de instalação do Skype em dispositivos móveis. Ou o envio de SMS por TCP/IP. Um exemplo que virou negócio são as empresas de call-back. Pelo lado “ilegal”, encontramos o desbloqueio de celulares.

Conclusão

Digamos que você criou uma nova tecnologia. De que maneira esta se enquadra nos padrões de uso? Estes padrões orientam sua entrada no mercado. Por meio destes você pode determinar seu mercado – compreendido como um conjunto de consumidores de um determinado conjunto de produtos e serviços, com interesses e necessidades comuns e capazes de influenciar mutuamente a decisão de compra.

Sua estratégia, contudo, tem que levar em conta o processo de apropriação e canibalização, que podem levar a usos não esperados. Os novos usos devem ser acolhidos e reprocessados. O confronto é sempre negativo, e a indústria fonográfica não me deixa mentir. Para ficar em um exemplo pessoal, estamos realizando um esforço maior de controle e segurança da validação dos códigos de barra no celular.

Recapitulando: inserção – adoção – apropriação – canibalização – reconfiguração.

Eu tenho uma nova tecnologia, e agora?

abril 18, 2007

Ou, divagando sobre o desenvolvimento do mercado de mobilidade.

Meu trabalho é essencialmente comercial. Trabalho com novas tecnologias, mais especificamente, tecnologias móveis. Marketing móvel. Ou, em português, mobile marketing. E, por isso, não posso me preocupar apenas com técnicas de venda. Na maior parte do tempo é preciso desenvolver todo o processo: da apresentação da tecnologia ao mercado; a identificação dos participantes-chave para a divulgação da tecnologia e suas vantagens; a realização de ações com empresas early-adopters, capazes de se satisfazerem e divulgarem os benefícios (venda sua nova tecnologia para alguém da maioria conservadora e seu produto já era); a criação de uma rede de informação; a educação; e, por fim, a venda.

Não é pouco trabalho. Para dar um exemplo, comecei a trabalhar com os dispositivos de bluetooth/infravermelho no início do segundo semestre de 2005. Com os códigos de barra no celular, no início de 2005. E somente agora começamos a ver resultados.

Mas, bem, como disse, não é pouco trabalho. E, por isso, não posso me fiar no Og Mandino como literatura de vendas. É importante uma abordagem mais cientifícia. Na verdade, estamos falando de vendas, de contato, de interações sociais. É importante entendermos a sociedade em que estamos inseridos e o padrão cultural e de interações de seus indivíduos, se queremos ser bem sucedidos com uma nova tecnologia.

Tendo dito isto, gostaria de elaborar um pouco mais sobre recente análise, tendo como base perfis padrão de usuários de celular, e questões culturais inerentes a sociedades periféricas.

(referências no texto: Og Mandino, The Greatest Salesman in the World / Early-adopters)